A Paixão Segundo JW (ou “Didididiê ê ê”)

A verdade nua e crua: comédias românticas dubladas em canais abertos e discos do Raça Negra tocando nos churrascos dos vizinhos moldaram o meu caráter.

Sou dos que acreditam que o impacto das coisas com as quais você convivia na infância ou no começo da adolescência vai estar sempre com você – ainda que você prefira negá-lo. E, bem… eu não nego.

Fui criado em uma cidade dormitório no interior do Rio de Janeiro, com tudo de bom e de ruim que isso implica: uma suposta segurança (de vez em quando se sabia de uma bicicleta ou uma gaiola de passarinho roubada, mas não muito mais que isso) e a ausência de opções de lazer e cultura. Some isso a uma mãe professora do estado e a um pai vigilante (o que explica a impossibilidade de ter uma tevê por assinatura, na época) e ao fato de que eram os anos 90 (aos mais novos: internet banda larga era um mito) e fica explicado o motivo de, ainda hoje, por mais que o leque de opções tenha se aberto, eu não ter qualquer vergonha de gostar daqueles filmes que assim que estréiam nos cinemas, você já sabe: em cinco anos estarão passando no Temperatura Máxima.

Um pouco mais tarde, a literatura pop entrou na história. Douglas Coupland colocando um personagem para conversar com a mãe após o fracasso de um relacionamento, Rob Fleming sendo Rob Fleming, Takeda/Spitzer falando de músicas e garotas. E vieram Alain de Botton e seus ensaios. E as próprias experiências (algumas tristes, outras, um tanto quanto inesperadas, engraçadas, ridículas). E o conhecimento das experiências alheias – tristes, inesperadas, engraçadas, ridículas.

E é para falar sobre essas questões envolvendo relacionamentos que inauguro esse espaço. Espere ver aqui observações sobre as tais comédias românticas (e nem sempre apenas sobre comédias, mas lembrando que títulos baseados nos livros de Nicholas Sparks, por exemplo, serão sumariamente ignorados), sobre livros, sobre discos/músicas/clipes, sobre pesquisas e ensaios, sobre histórias alheias – ou nem sempre tão alheias assim.

Não sou o cara que mais se dá bem no assunto (se fosse, não cogitaria montar uma rede social chamada eRrar-me, parecida com o eHarmony, só que ao contrário), mas trata-se de um dos temas que mais me interessam – muito provavelmente pela influência das Sessões da Tarde e dos discos de pagode dos anos 90 tocando na casa do João Moleque.

Comecemos então com A Paixão Segundo JW.

10 Comments

  1. finalmente! hahaha

  2. Mesma cidade, mesmas escolas, quase mesmos caminhos. Sim, você esclareceu algo que estava apertando meu coração há muito tempo e, mesmo com vergonha, eu precisava gritar ao mundo: “Sim, eu fui criada pela “Sessão da Tarde” e minha ideia do que é (seria) paixão, se resume aos filmes dos 90′s, os quais, em sua maioria, eram protagonizados por Meg Ryan, Tom Hanks e John Cusac, e pop songs!” Thank you, JW. Você falou por todos os seres paracambienses dos seus vinte e poucos. ;)

  3. Vanusa · · Reply

    Adorei!

    Quando vai escrever as histórias de furaolhismo, espólio, histórias das histórias, etc?
    bjnhs.

    1. a Teoria do Furaolhismo é um projeto para o futuro. hahaha

  4. Fabiana · · Reply

    Adoreiiii!!!!Curiosa p v o q vem por aí!!!

  5. Fabíola · · Reply

    Também aguardo ansiosa a teoria do furaolhismo! hahahaha

    1. vocês gostam é de ver o circo pegando fogo…

  6. Bia Armond · · Reply

    Virgem!

    (mentira, te amo)

  7. Até quem efim, senhor Jotadáblio!

  8. Márcia Madela · · Reply

    Que interessante seu novo espaço! Vou acompanhar! =)

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